quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Névoa

Está nevoeiro, não te consigo ver, alcançar.
Sinto-te perdido, perdidamente perdido por mim, e em mim.
Já não te consigo encontrar por debaixo desta névoa ténue.
Vislumbro-te ali, além ao fundo, na penumbra da noite que arrebata o meu olhar.
Não vejo nada, palpo tudo o que me rodeia, e no entanto apenas sinto a tua sombra, junto ao meu ouvido, mas não te consigo tocar. Não estás presente.
Estou embaciada, por todos os sentimentos que abastecem a minha sobrevivência. 
Cansada, é como e o que sinto. Não vejo, nem encontro um limite que me proíba de te amar, é inevitável esquecer-te, seria dicípar a minha utilidade se tal feito se desse como determinado. 
Acabas-te de renascer das trevas em que te encontravas, não sei como sais-te dai. Se foste ajudado. Ou não.
Voltas-te, vejo um volto além ao longe, que por mais que me digam que não, eu sei que és tu, vindo de não sei onde, pois já não me recordo onde te depositei, apenas memorizei que era um lugar sombrio, triste e solitário, sitio esse onde me encontro, hoje e agora, na penumbra da noite, que só agora chegou e me invadiu o lugar, onde me sento. 
Tenho estado à tua espera, no sitio de sempre, com a roupa do costume, a fazer o entendido, que tu já reconheces apenas quanto que toco com o  meu olhar, que tu recordas como teu, desde o primeiro dia em que me viste. Meu solitário voluntário, tornaste-te assim responsável pela minha degradação.

Sem comentários:

Enviar um comentário